Entenda o que é operação de barter e qual sua importância

A operação de barter existe desde os anos 90. No início, seu objetivo era expandir os negócios das tradings especificamente no cultivo da soja na região centro-oeste do Brasil. Desde então, essa prática se popularizou e hoje já responde por mais de 20% do faturamento das empresas de grande porte no agronegócio.

Por meio dessa modalidade, o agricultor troca parte de sua produção por insumos que necessita para o fomento da lavoura futura.

Ficou interessado e quer saber como funciona a operação de barter? Então, siga a leitura do post e esclareça todas as suas dúvidas! Vamos lá?

Qual a importância da operação de barter?

A operação de barter é extremamente útil no agronegócio, tanto para produtores quanto para vendedores de insumos e até de maquinários. No começo, esse tipo de operação era muito cíclico. Isso porque em anos em que os agricultores estavam capitalizados não aconteciam tantos negócios. Já, em períodos em que havia escassez de recursos, os negócios voltavam com tudo.

Essa falta de consistência acabava atrapalhando a cadeia agrícola, que perdia a estrutura para operar de forma eficaz. Mas, nos últimos anos, o barter cresceu de maneira substancial. Assim, as indústrias passaram a se organizar para atender a todas as necessidades dos produtores. E já se vê operações de barter até envolvendo venda de colheitadeiras — algo inimaginável até pouco tempo.

A grande importância do barter é garantir ao agricultor a compra de insumos ou maquinários para a sua safra sem que ele precise tirar dinheiro do bolso.

Além disso, esse tipo de operação protege o seu custo de variações do preço da commodity, facilitando, assim, o gerenciamento do seu negócio. Dessa forma, o agricultor tem uma previsão do custo da operação sem precisar ficar exposto às taxas de juros bancárias.

Outro benefício que deve ser considerado é a armazenagem. Com o barter, o produtor deixa de ter essa preocupação, uma vez que os grãos que utilizou para fazer a troca já têm destino certo antes mesmo da estocagem.

Com essas vantagens, a atenção do agricultor deverá estar voltada, principalmente, para a dimensão das operações de troca que fará, já que ele terá que produzir o suficiente para honrar todos os compromissos assumidos em contratos. Caso contrário, poderá ter que arcar com custos extras, como o pagamento de multas.

Qual a estrutura necessária para esse tipo de operação?

Sem dúvida, há estruturas complexas para esse tipo de operação. Mas, na maioria dos casos, acontece de forma simples e com toda a facilidade operacional: empresas fornecedoras de insumos ou maquinários trabalham em parceria com tradings e consumidoras de grãos — como indústrias de processamento de alimentos —, que são, no fim, as interessadas na troca.

De maneira resumida, a organização da cadeia acontece da seguinte forma:

  • produtor: tem o produto para entregar na troca por insumos ou maquinários;
  • fornecedor de insumos ou maquinários: quer vender defensivos, fertilizantes, sementes, colheitadeiras, tratores etc;
  • trading ou consumidor de grãos: tem interesse no grão para venda ou consumo.

Sendo assim, quanto mais próximos trabalham os integrantes desta cadeia, maior é o benefício geral. As empresas fornecedoras, por exemplo, não têm interesse, normalmente, em ganhar no valor do grão. Então, na maioria das vezes, elas repassam esse direito para a indústria consumidora e para as tradings.

Nessa configuração, todos os participantes conseguem alcançar seus objetivos!

Como se realiza o barter?

Nessa modalidade, como vimos, o produtor faz uma compra antecipada sem pagar nada no ato. Assim, para conseguir os insumos que necessita, o agricultor tem que assinar um contrato no qual se compromete a entregar parte de sua próxima colheita. Isso é feito por meio de um documento chamado Cédula de Produto Rural ou CPR.

Essa é a peça-chave para esse tipo de negociação. Trata-se de um documento legal, registrado em cartório. Com ele, é possível lastrear a operação. Na verdade, a CPR é uma garantia para a trading e para a empresa fornecedora de insumos ou maquinário.

A Cédula de Produto Rural foi criada com a Lei 8.929 em agosto de 1994 e, desde então, passou a ser um elemento fundamental nas relações de crédito no agronegócio, uma vez que a redução de riscos deve ser sempre um dos principais benefícios do barter.

Com a CPR, é possível garantir isso por meio do travamento de preços. Funciona assim: o agricultor trava o preço de parte de sua produção futura, utilizando um valor correspondente aos seus custos. Com seu custo de produção travado, esse produtor estará protegido das variações no câmbio na taxa de juros e no preço das commodities. Assim, garantirá a melhor condição para gerenciar sua rentabilidade.

Como obter a CPR?

Conforme o art. 1º da Lei 8.929, a CPR é um título líquido e certo que representa a “promessa de entrega de produtos rurais”. Sendo assim, ela não apresenta um preço, apenas discrimina a qualidade e a quantidade do produto que deverá ser entregue.

Podem emitir esse título os produtores rurais, suas cooperativas e associações. Mas, para que esse instrumento tenha validade e eficácia perante terceiros, a CPR deverá ser registrada no Cartório de Registro de Imóveis do domicílio do emitente.

Caso haja alienação fiduciária, hipoteca ou penhor, o registro deverá ser feito também no Cartório de Registro de Imóveis onde estão alienados ou empenhados os bens. Na CPR, a garantia não é obrigatória, entretanto, caso haja alguma garantia, ela deverá ser feita na própria CPR ou, ainda, em documento à parte assinado pelo emitente.

Além disso, a CPR deverá conter:

  • a denominação Cédula de Produto Rural;
  • nome do credor;
  • cláusula à ordem;
  • data da entrega;
  • promessa pura e simples de entrega do produto;
  • indicação do produto;
  • especificações de quantidade e qualidade;
  • condições e local de entrega;
  • descrição dos bens vinculados em garantia;
  • data e local da emissão;
  • assinatura do emitente.

Enfim, a operação de barter, além de todas as vantagens mencionadas, ainda possibilita um tipo de financiamento privado no agronegócio a partir da troca. Assim, os produtores não precisam mais ficar tão dependentes dos escassos recursos públicos destinados ao financiamento do agronegócio.

E você, achou vantajosa a operação de barter para o seu negócio? Ainda tem alguma dúvida? Deixe seu comentário no post!

Autor: cartórios.com.vc

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